ENTREVISTA Paulo Henrique Costa reverte situação de revés e implementa o novo BRB

Foto: Divulgação

Ao chegar da CEF, há cinco meses, convidado para comandar o banco pelo governador Ibaneis Rocha, o funcionário de carreira afirma estar feliz. Ele costuma dizer a sua equipe que é preciso entregar para a sociedade do Distrito Federal um banco do tamanho que ela merece.

Por Josiel Ferreira e Maurício Nogueira

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pernambucano de nascença, mas mora em Brasília há 16 anos, conta sua trajetória durante os cinco primeiros meses no controle da instituição, cujo objetivo profícuo é alavancar a economia local. Costa cita como foi o planejamento adotado em partes. Uma delas é “construir o banco do futuro. Em relação a esse banco do futuro, o que nós estamos conduzindo é um reposicionamento completo do BRB”. Como ele mesmo classifica, “o novo BRB”.

Em entrevista exclusiva ao Toda Hora, na terça-feira (25/6), Costa também respondeu sobre a sua estratégia para reorganizar, colocar a casa em ordem, após escândalos de supostos pagamentos de propinas no valor de R$ 40 milhões, desde o início de sua empreitada.

Além do afastamento das pessoas envolvidas nas investigações foi estabelecida, dentre outras,  “uma série de ações de fortalecimento da governabilidade, da governança, da integridade e dos controles internos do banco”.

Durante a conversa no gabinete do Edifício Central do BRB, no Setor Bancário Sul, por quase meia hora, abreviada por ter sido chamado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para uma reunião, Costa relatou motivado as recentes metas alcançadas pelas agências, destacando entre cinco delas, a localizada na Estrutural.

“É uma região bastante complexa de negócios. Foi a nossa primeira agência a alcançar 100% das metas”, nos primeiros cinco meses de atuação na presidência do BRB.

Ele antecipou que há um compromisso firmado entre ele e o governador Ibaneis de que o BRB continuará a ser um banco público. E ainda elogiou o secretariado, contando o segredo nada inusual em governos.

Para saber qual a dica e muito mais, confira as novidades do novo BRB na entrevista concedida pelo presidente do BRB, abaixo:

Toda HoraO senhor assumiu em fevereiro de 2019 a presidência do Banco de Brasília, num momento delicado. O banco estava no centro dos escândalos de suposta movimentação de R$ 40 milhões em propina, investigada pela Polícia Federal e o Ministério Público. O BRB é uma instituição transparente. Como andam as investigações com relação a essas possíveis irregularidades dentro do BRB?

Paulo Henrique Costa –  Desde que tomamos conhecimento das investigações a partir da operação realizada antes da nossa chegada no banco, a nossa primeira atitude foi afastar imediatamente todas as pessoas que foram presas e estavam sendo investigadas nessa operação.

Em segundo lugar, a gente estabeleceu uma série de ações de fortalecimento da governabilidade, da governança, da integridade e dos controles internos do banco.

Em terceiro lugar, a gente se aproximou dos órgãos de investigação para habilitar o BRB como assistente de acusação.  A gente entende que tudo que está sendo investigado precisa ser apurado e se de fato existirem maus feitos que todas as pessoas envolvidas precisam ser punidas. A partir daí, a gente também começou a construir um novo BRB. Um BRB mais limpo. Um BRB mais focado em de fato cumprir o seu papel perante a sociedade.

Toda Hora – O senhor contratou uma empresa para conduzir a investigação, a forense, em cima dos contratos de operação de crédito, de investimentos e captação de recursos. O senhor também afirmou que é favor de uma auditoria própria. O senhor já tem resultados dessa auditoria? Inclusive o próprio governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu que o senhor levantasse todos os dados com relação aos contratos. Isso foi feito?

Paulo Henrique Costa –  A orientação que a gente recebeu do governador foi de apurar tudo e passar tudo a limpo. Nós contratamos sim a PWC (Price Waterhouse Corporation) empresa internacional de auditoria para conduzir a investigação forense, tiramos um comitê de investigação forense composto por pessoas do banco e de fora do banco. Por exemplo, a Procuradoria Geral do Distrito Federal acompanha essas investigações. O banco já tem uma auditoria interna. Isso faz parte, para todas as instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo banco central. Esse é um trabalho que leva um tempo. Ou seja, você tem uma fase inicial de muita coleta de documentação e busca de subsídios para que os relatórios e os entendimentos sejam produzidos.

Nesse período, apreendemos mais de 60 computadores. Mais de 15 celulares de pessoas envolvidas. A gente tem 90 pessoas sendo investigadas, aqui, internamente. E a gente tem cooperado muito como Ministério Público, principalmente, fornecendo evidências e os achados que agente se depara no dia a dia.

Foram revisados mais 3,5 milhões documentos, nesse tempo de trabalho, procurando elementos que possam guiar a nossa investigação. Desses, pouco mais de 3 mil estão sendo tratados individualmente. Ou seja, lidos para que se estabeleçam relações. E a gente possa tomar providências.

Por que eu estou contando tudo isso? Nesse momento, o nosso foco é entender o que aconteceu. Levantar os documentos que subsidiam as investigações. E apoiar os órgãos de investigação. A partir daí, é que ações virão de apuração de responsabilidade e punições, eventualmente, se a gente encontrar mal feito.

Toda HoraÉ ventilado na imprensa que que o valor de contrato com a empresa PWC custou R$ 70 milhões, ora foi R$ 30 milhões. Realmente, quanto foi o valor, presidente?

Paulo Henrique Costa – O valor do contrato da PWC é de pouco mais de R$ 7 milhões. Infelizmente outros valores aparecem por aí, mas esse é valor concreto do contrato. A empresa vai receber pouco mais de R$ 7 milhões pelo trabalho, que na nossa avaliação é de extrema importância que seja conduzido, inclusive, porque também as pessoas não fazem a correlação correta entre o valor que está sendo pago, o trabalho que está sendo feito, e o que está sendo investigado.

Os levantamentos iniciais que a gente tem conhecimento do Ministério Público apontam para uma possibilidade de pagamento próximo de R$ 40 milhões de propinas, mas são investimentos de R$ 400 milhões. E os contratos que a gente está avaliando vão além dos contratos de investimentos.

Como você bem falou, na pergunta anterior, a gente está falando de investimento, de crédito, de compras, de contratações, as mais diversas. O valor, que está sendo apurado, os contratos que a gente está revisando, aqui, são muito mais amplos do que isso. Faz todo sentido fazer esse tipo de contratação.

Toda Hora – Quanto às perspectivas do banco, daqui para a frente, o que o senhor tem de novidade para contar?

Paulo Henrique Costa – O nosso trabalho aqui, acho que é importante todo mundo entender, ele tem duas grandes partes. Uma parte é apurar esse passado. E uma parte é construir o banco do futuro. Em relação a esse banco do futuro, o que nós estamos conduzindo é um reposicionamento completo do BRB.

Ou seja, o BRB quer se aproximar mais dos servidores, de fato, se tornando o principal banco de relacionamento, sendo reconhecido como um banco que tem condições de negócio diferenciadas, uma qualidade de atendimento diferenciada. O BRB quer ampliar a sua atuação na Pessoa Física para as pessoas que não são servidoras, também um segmento que nos interessa bastante. E em terceiro lugar o BRB quer atuar junto ao setor produtivo. Nos últimos anos, a carteira de financiamento a empresas caiu bastante no banco, de um R$ 1,5 bilhão, no final de 2015, para pouco mais de R$ 700 milhões.

O que importa é que o BRB não atuou, na minha visão, da maneira que deveria em relação ao setor produtivo. Estamos recuperando isso. Na minha visão, houve um erro estratégico. De novo, o que eu estou falando aqui é da concepção de banco.

A razão de um banco público existir é ele atuar na melhoria da qualidade de vida da população, gerar emprego e renda, remunerar o acionista. Não existe a possibilidade de um banco exercer o papel de fomento sem atuar junto com o setor produtivo, ou seja, financiando a microempreendedores, financiando às pequenas, médias e até as grandes empresas. Ou seja, esse também é o reposicionamento que a gente está fazendo do banco. Fizemos parceria com a Fecomércio, com  Sinduscon, com o Secovi, com a Associação Comercial de Vicente Pires, ou seja, um conjunto de órgãos representativos que nos aproximam do setor produtivo, revimos o nosso portifólio de produtos, revimos taxa de juros e orientamos nossos gerentes a irem para rua visitar.

“Estamos modernizando o banco, construindo um banco digital, construindo uma plataforma digital de investimento, revendo os nossos sistemas, revendo arquitetura de TI para que a gente tenha mais disponibilidade, mais rapidez e o cliente perceba que os nossos ambientes são ambientes iguais, ou melhores que os ambientes de mercado. A gente está falando do APP, do Internet Banking, do próprio atendimento no Telebanco. E tudo isso vai ser sustentado por um grande programa de inovação, que nós vamos lançar nas próximas semanas”

 

A gente está falando do reposicionamento do banco do ponto de vista dos clientes, da qualidade do atendimento, dos produtos que ele oferece, tendo como destaque essa aproximação com o setor produtivo e o exercício de papel do banco de fomento. E um outro eixo de atuação é o eixo de modernização do banco. Muitas das reclamações que a gente recebeu até antes de chegar no banco eram uma preocupação com a qualidade da tecnologia.

Estamos modernizando o banco, construindo um banco digital, construindo uma plataforma digital de investimento, revendo os nossos sistemas, revendo arquitetura de TI para que a gente tenha mais disponibilidade, mais rapidez e o cliente perceba que os nossos ambientes são ambientes iguais, ou melhores que os ambientes de mercado. A gente está falando do APP, do Internet Banking, do próprio atendimento no Telebanco.

E tudo isso vai ser sustentado por um grande programa de inovação, que nós vamos lançar nas próximas semanas. Ou seja, o BRB, de fato, vai entrar no mundo das fintecs (empresas que adotam a tecnologia digital para incursionar no campo até aqui exclusivo dos bancos), das startups em parceria com o BioTIC (Parque Tecnológico de Brasília – BioTIC), para trazer para trazer novas empresas aqui para o Distrito Federal, que certamente vão nos ajudar a dar esse salto de modernidade.

Toda Hora A Caixa Econômica Federal (CEF) passou por isso também quando havia um gap entre bancos do mercado e ela se reposicionou?

Paulo Henrique Costa – A Caixa também se reposicionou, minha última posição na Caixa, inclusive, era de vice-presidente responsável por clientes, negócios e transformação digital. Crescemos a quantidade de agências digitais, estruturamos um programa de transformação digital, lá. Aqui, a gente vai um pouco além. Na medida em que a gente também discute o banco digital, discute essa plataforma e lança e programa de inovação. Onde BRB vai criar inclusive um fundo de privet para colocar dinheiro, investir nessas fintecs que serão selecionadas e aceleradas por nós.

Toda Hora – Como está o banco hoje, como o senhor diria que está a saúde financeira do banco?

Paulo Henrique Costa – A saúde financeira do banco está extraordinária. O banco tem liquidez. O banco tem estrutura de capital. Nossos negócios estão crescendo. Então nosso volume de crédito consignado nos primeiros cinco meses desse ano, comparado com os cinco meses do ano passado, cresceu três vezes. Nosso volume de vendas de cartões de crédito aumentou duas vezes. Nosso volume de financiamento imobiliário aumentou duas vezes.

O banco está mostrando a que veio. E a tendência é de aceleração. Vou citar um exemplo. No crédito consignado, que é o nosso principal produto hoje, nós produzimos em maio desse ano 12 vezes mais do que produzimos em maio do ano passado. Sem contar que a gente tem procurado atuar de fato como banco local. Banco que entende da realidade da população, aqui.

O programa de financiamento de lotes é um exemplo de uma atuação local. O programa de consultoria financeira que a gente se aproximou dos servidores, já renegociou e melhorou a condição de mais da metade de nosso público alvo.

Quase cinco mil pessoas foram atendidas pelo programa. Nos anos anteriores, o ano que mais teve negócio foram 586. Em cinco meses, a gente fez 10 vezes mais, consultoria financeira e reestruturação dos contratos.

Outro exemplo, é o Cartão de Material Escolar. Estava parado há dois anos e a gente voltou. Ou seja, o banco apoiando o Governo do Distrito Federal a dar dignidade para as famílias. O aluno da rede pública poder comprar o seu material. Ter um material diferenciado.

São 60 mil beneficiários, 48 mil famílias beneficiadas. Ou seja, o banco volta a exercer o papel. Uma outra coisa importante que eu gosto de destacar sempre são os empregados.

Os empregados percebem esse novo posicionamento do banco e compraram esse posicionamento. Tudo o que está sendo feito só acontece porque eles estão levando adiante esse desafio.

Toda Hora – O senhor cobra metas?

Paulo Henrique Costa – Sempre.

Toda Hora – Estamos sabendo que tem uma agência referência que ninguém esperava, ficamos surpresos…

 Paulo Henrique Costa – A gente tem várias agências como referência. Não vou dizer só uma, mas vou dizer cinco agências. Águas Lindas é uma delas, Formosa, agência Cuiabá, ou seja, fora do DF, agência da Estrutural e agência de Vicente Pires. Ou seja, Estrutural é uma região bastante complexa de negócios. Foi a nossa primeira agência a alcançar 100% das metas, no período. Todas essas que eu citei estão superando as metas. E o que a gente vê de novo, na verdade, é um movimento de todas as agências melhorando de desempenho.

Toda Hora – Presidente, como é que o senhor vê essa questão da estagnação da economia do DF, com relação ao endividamento excessivo, não só dos servidores, mas também na questão pública e privada?

Paulo Henrique Costa – O que a gente está vendo na economia do DF é um movimento que faz parte da dinâmica nacional. Quando a gente olha os indicadores do Produto Interno Bruto, o próprio indicador do Banco Central o IPC-BR (Índice de Preço ao Consumidor – Brasil) que apontou uma queda de 0,47 em abril, o próprio movimento de queda da economia no primeiro trimestre está posto.

A reforma da Previdência é um elemento fundamental para mudar a expectativa dos agentes, para começar a gerar um ânimo diferente. E qual é o nosso objetivo? O que o governador tem nos cobrado, não só no BRB, mas de todo o secretariado é que de fato todos desenvolvam ações para geração do emprego e renda para a melhoria da qualidade de vida da população.

O governador tem uma visão bastante importante da obrigação que todos nós temos de gerar emprego no Distrito Federal. Eu acredito que por meio da atuação articulada da Secretaria de Fazenda, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Secretaria de Turismo e do próprio BRB, a gente vai fazer com que a própria economia do DF descole, cresça mais rápido do que a dinâmica da economia nacional.

Toda Hora – Como é que o senhor se sente saindo da CEF e vindo para o BRB? O senhor se sente motivado, com vontade de marcar sua passagem?

Paulo Henrique Costa – Eu me sinto feliz, me sinto honrado, me sinto premiado pelo desafio de poder levar, junto com a equipe, o BRB a um outro patamar. A gente tem dito internamente  que precisamos entregar para a sociedade do Distrito Federal um banco do tamanho que ela merece.

E quando eu olho os elementos e as condições que a gente tem no BRB para fazer isso, eu olho com convicção que a gente vai fazer. Então, sair de um banco grande, onde eu tinha 91 milhões de clientes, 66 mil empregados, somente na vice-presidência que eu respondia e vir para um banco de 770 mil clientes, com 4.600 empregados me motiva no sentido de que a gente tem obrigação de construir um case, a obrigação de fazer desse banco de fato, construir a diferença em Brasília que é a cidade que eu acolhi.

Eu sou pernambucano de nascença, mas moro aqui há 16 anos, minhas filhas nasceram aqui, oportunidade de devolver um pouco o que Brasília me deu. Ou seja, de fazer com que o banco cresça, se perenize, seja protagonista do desenvolvimento aqui que tanto a população, quanto os nossos empregados tenham orgulho do banco que a gente está construindo.

Toda Hora – A relação com o secretariado está boa?

Paulo Henrique Costa – Excelente, excelente. Eu acho que uma grande marca do governo é a atuação sinérgica do secretariado. Sabe, o cuidado que um tem com o outro de apoiar as iniciativas.

Então, o secretário de Fazenda, secretário de Turismo, as Parcerias Público Privadas (PPP), a própria secretária Érica, que estava aqui. A gente estabelecendo ações para incentivar a geração de emprego e renda nas mulheres, no empreendedorismo feminino. A gente conversa muito, muito, muito. O governo passou a fazer alguns pontos de controle e isso facilita muito essa troca.

Estamos trabalhando com a Secretaria de Educação em que a gente vai fazer um programa de cooperação em que todos os computadores do banco, quando forem substituídos, serão repassados para a Secretaria de Educação para fazer laboratórios nas escolas públicas.

Então, veja, essa articulação produz muito resultado e que não é comum nos governos. Acho que, mais uma vez, a liderança do governador Ibaneis com a cobrança de resultado forte e ativa, faz com que todo mundo se una. A atuação com a Terracap para a gente ajudar no financiamento dos lotesAs pessoas a realizarem o sonho da Casa Própria. Tem uma atuação muito, muito sinérgica.

Toda Hora – O senhor é contra a privatização do BRB?

Paulo Henrique Costa – Houve um compromisso meu e do governador Ibaneis, quando da minha vinda, de que o BRB não seria privatizado.

Ou seja, a gente entende o benefício que um banco público traz e em todo nosso plano de trabalho considero o BRB público.

 

 

 

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