CONTAGEM REGRESSIVA Incógnita marca a chegada do novo, de presidente a governador

Foto/Arquivo Notibras
Marc Arnoldi

Poucas vezes na história do Brasil houve tanta curiosidade a respeito dos próximos governos. Porque nunca antes nesta mesma história se colocou na chefia dos Executivos tanta gente nova. Jair Bolsonaro tem carreira política, porém no Legislativo, sendo por muitos anos um no meio de mais de quinhentos. Fez barulho, votou contra e a favor, às vezes e com o passar do tempo e dos aliados, a respeito dos mesmos temas.

E virou um personagem, com pontos de vista, declarações, gestos e mímicas que chamaram à atenção um contingente de eleitores que o fizeram “o Mito”. A torcida existe, espontânea e apaixonada, mas são as circunstâncias que o fizeram Presidente da República. Numa eleição majoritária, tão importante quanto as qualidades do candidato são as fraquezas dos oponentes. Para ter um vencedor, precisa-se de alguns perdedores.

Mas o “salto para o desconhecido” será muito maior a partir de 1º de janeiro. Dos 10 maiores estados em termos de PIB, somente os dois do Nordeste prorrogaram o mandato de seus Governadores. Rui Costa (PT) na Bahia e Paulo Câmara (PSB) em Pernambuco figuram escaparam da onda de renovação/despolitização. Ratinho Junior (PSD), no Paraná, tem 37 anos; Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, será o Governador mais jovem do Brasil, com 33 primaveras. Ambos são jovens, mas têm experiência política, tanto no Legislativo quanto no Executivo.

João Doria (PSDB), em São Paulo, subiu mais um degrau em sua ascensão política. Agora só falta um. Deverá ser candidato ao Planalto, talvez já em 2022. Não há mais ninguém no PSDB capaz de barrar seu caminho. Dizem que a Lava-Jato “persegue” o PT, mas o partido mais atingido até hoje foi o PSDB, que foi ceifado. José Serra, Aécio Neves, Marconi Perillo, Beto Richa estão hoje mais preocupados com processos judiciais de que com processos políticos. E Geraldo Alckmin vai ter dificuldade em se reconstruir após a campanha 2018.

Em Goiás, a queda de Marconi Perillo foi avassaladora. Eleito e reeleito triunfalmente no Estado, nome crescendo no PSDB até o ponto de ser cogitado para o cargo de Vice-Presidente, Marconi ficou em quinto lugar para o Senado em 2018. Viu seu Vice-Governador Zé Eliton ser batido no primeiro turno por Ronaldo Caido (DEM). E chegou ao cúmulo de ser preso por algumas horas depois do pleito. Sua derrota eleitoral foi tanto que, na região do Entorno, tradicional reduto, ele e Zé Eliton só foram os mais votados em um cidade. Umazinha das 27 que agora conta a RIDE/DF desde 2018. E foi a menor dela, Mimoso de Goiás, com 2.702 habitantes.

Metade dos 8 outros estados do Top 10 será chefiado por não-políticos, pessoas que vieram de outros horizontes e que terão que aprender na prática o difícil exercício do setor público: O Comandante Moisés (PSL), em Santa Catarina, foi bombeiro, só pendurou a farda há dois anos. No Ibope, na sexta-feira antes da votação, não chegava a 10 %. Surfou na onda Bolsonaro. Bem como Wilson Witzel (PSC), no Rio de Janeiro, que empatava com Romário em segundo lugar com 17 % no DataFolha da véspera. E terminou em primeiro, com 41 %. Militar, Defensor Público, Juiz, Witzel já “causou” antes de entrar no Palácio Guanabara. Deixou todo mundo boquiaberto com sua intenção de autorizar snipers a atirar, até mesmo do alto de helicópteros, em portadores de fuzis. E prevê viajar a Israel para conhecer os drones que atiram.

Na vizinha Minas Gerais, não só o Governador será novo. O partido também. O terceiro maior PIB estadual do Brasil já foi azul, amarelo, vermelho. Agora será laranja. Uma verdadeira vitrine para o Partido Novo, que herda finanças em má postura. Romeu Zema vai pular direto do mundo empresarial para o serviço público. Ele sabe que muitos olhos estarão focados nele. Único partido a reivindicar a ideologia liberal, o Novo já é premiado na sua primeira participação. Pode ser um trampolim. Ou um buraco na estrada. Zema é consciente do desafio, e decidiu passar esta semana na Inglaterra, em Oxford, em cursos de gestão e educação pública.

O último dos Governadores da “nova geração” integrantes do Top 10 dos PIB estaduais é nosso, Ibaneis Rocha. Para o brasiliense, ele dispensa apresentações nesta altura do campeonato. Mas não a curiosidade. Para ele como para os outros, a contagem regressiva está quase na metade.

Notibras

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